por Redação

Revelação

 

É só por amor que a gente aceita que as pessoas sejam como são e até insistam em ser. Mesmo que discordemos e tenhamos profundas dúvidas quanto à coerência de suas escolhas. Somente se amarmos as pessoas seremos respeitosos quanto à suas liberdades. Não importa o que façam.

Depois, com a maturidade e a reflexão, a gente vai entendendo que a diversidade é extremamente importante e desiste de querer que as pessoas sejam como somos para gostarmos delas. É fundamental que existam pessoas com outras orientação sexuais além da minha; é demasiadamente importante que as pessoas cultivem outras religiões que não a minha. É absolutamente necessário que existam pessoas com cores de pele, cultura e que hajam outras tendências políticas diferentes da minha.

É exatamente isso que faz com que a existência tenha sentido. Todos temos a aprender com cada um dos outros; não há quem não nos possa ensinar alguma coisa importante ao nosso desenvolvimento pessoal. Não é preciso que as pessoas escolham entre suas liberdades de serem diferentes de mim e minha participação na vida delas. Tenho amigos de todos os gêneros, de todas as cores, de todas as tendências políticas e culturais. Tenho até amigos egoístas, que só pensam neles e se julgam o centro do mundo. Penso que um dia hão de perceber; a dor e o sofrimento vão alcançá-los e quero estar por perto para amparar e ajudá-los a reorientarem-se. É o humano das pessoas que me interessa, é a dor que sentem, o quanto posso ser-lhes útil, o que podemos trocar de ensinamentos que me faz sentir e pensar em tê-los por perto. Tenho amigos presos que admiro a humanidade que possuem, apesar do que fizeram e do desespero que vivem. Amigos doentes que sofrem muito e que em nada posso ajudar.

Estou seriamente doente, e opto pela generosidade. Não quero mais julgar; exijo de mim compreensão e tudo o que desejo é desenvolver compaixão por todos os que sofrem. É difícil, às vezes até impossível, mas foi esse o caminho que escolhi. Sei que vou errar muito, que vou ser obrigado a me censurar e brigar constantemente comigo mesmo. Mas creio que tenho o motivo e capacidade auto-crítica para me enfrentar. Como diria Milton Nascimento, "a luta é comigo mesmo".

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Luiz Mendes

16/11/2015.     

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