por Redação

 

Liberdade sem miséria

 

Não é mais admissível um mundo em que hajam pessoas passando fome ou sobrevivam em situações abaixo da condição humana. Embora saibamos que ainda acontece e não poucas vezes. Na África, por exemplo, há sempre territórios que viram zona de guerra e que as pessoas, particularmente crianças, morram de fome. Há também os refugiados das guerras no oriente médio que, igualmente, passam por dificuldades imensas. O que é lamentável e exige de nós todos uma tomada de atitudes contra tais monstruosidades. Mais terrível ainda porque sabemos que há aqueles que têm lucros com essas misérias humanas. Em nosso país já é difícil pensar que haja lugares onde a fome chegue a esse ponto. Embora, segundo pesquisa do Pnad, do Instituto de Geografia e Estatística nacional, 6% dos brasileiros vivem em condição de miséria. Mas o país alcançou a meta de redução da pobreza 15 anos antes do previsto no plano mundial. Nos últimos anos demos saltos enormes e amadurecemos nessa parte. Há pobreza, mas fome não. Não vê quem não quer ver. Embora, dependendo dos políticos, suas orientações econômicas e sociais, que vão administrar o futuro do país, tudo pode retroceder ou avançar. O equilíbrio ainda é frágil, a cultura e educação do povo é precária para que as escolhas sejam consequentes, nada esta absolutamente consolidado.

  Assim como não é mais aceitável que se possa viver sem a proteção das liberdades individuais. Não dá mais para imaginar uma vida sem liberdade. E, como no caso da fome, sabemos que em determinados lugares do planeta a liberdade ainda não chegou. Povos escravizados à ditaduras, a costumes milenares e práticas medievais. Há outros tipos de prisões, agora mais sutis, como o consumismo e as orientações econômicas/sociais que tornam o homem produtor e consumidor, unicamente. Ou mesmo prisões físicas mesmo, como nos Estados Unidos em que hoje existem mais pessoas negras aprisionadas em seus cárceres, do que escravizadas no tempo da escravatura. Provavelmente por aqui em nosso país, os resultados não estejam tão distantes, já que temos a terceira população encarcerada do planeta.

Os regimes políticos ocidentais tentam nos garantir de que são capazes de resolver essas duas pontas ultra-sensíveis e agonizantes da sociedade humana. Mas metade dos recursos globais beneficiam apenas 22 países e eles acomodam apenas 14% da população mundial. 49% dos países mais pobres são habitados 11% da população mundial e dividem entre si apenas 1% do produto global. Ou seja; um montante igual à fortuna pessoal dos 3 homens mais ricos do planeta. 90% da riqueza total do planeta permanece nas mãos de 1% dos habitantes da Terra. São dados da ONU e que afirmam que a concentração de rendas cresce a cada dia. Como garantir que as pessoas não passarão fome e que haverá liberdade para todos diante de um cenário tão desumano quanto este? As crises econômicas provocadas por quem tira lucro com isso ou por ingerência daqueles que administram o bem público, vão diminuindo chances, em vez de aumentá-las.

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Luiz Mendes

17/11/2015.  

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